quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Ciro Aimbiré de Moraes Santos
Presidente do Sínodo da Integração Catarinense









Caro irmão, graça e paz!



Nos dirigimos à você que participou do I Simpósio de Música Arte e Júbilo em 2012, na IP Luz do Vale, em Camboriú, para informar que neste mês de setembro acontecerá o II Simpósio. Desta vez será na 1ª IP Itajaí, no dia 19 de setembro.

Além das oficinas de instrumentos e canto coral, neste evento teremos duas outras oficinas: uma que tratará sobre arranjo dos hinos e outra que tratará de sonorização da igreja. Todas as informações sobre este evento estão disponíveis na página do evento. Por favor, acesse www.sicipb.org.br/musica e conheça o programa e os preletores, bem como o tema das palestras e das oficinas. 

Na mesma página você encontrará o link para o formulário de inscrição. Se você gostou do evento anterior, garantimos que este será ainda melhor. Para isso precisamos que confirme sua participação o quanto antes e nos ajude a divulgar junto ao pessoal ligado à música e sonorização da sua igreja. Da mesma forma, entendendo a importância da música no louvor e adoração no culto, pedimos suas orações pelos preletores e pelos participantes.

Fraternalmente em Cristo.

Ciro Aimbiré de Moraes Santos
Presidente do Sínodo da Integração Catarinense


SIMPÓSIO - Arte & Júbilo
DATA/HORÁRIO                   LOCAL/ENDEREÇO
Sábado, dia 19/09/2015                         Rua Sete de Setembro, 437 - Centro - Itajaí (SC)
08h30-18h00                                           sicipb@sicipb.org.br
                                                                 Tel: 47-3348-4393
08:30 - Abertura e apresentação do CHHM (Presb. Ciro Aimbiré de Moraes Santos - Presidente do SIC)
08:35 - Devocional de Abertura (Rev. Heleno Montenegro)
08:50 - Palestra "Músicos que adoram em Espírito e em Verdade" (Rev. Davi Charles Gomes)
09:45 -  Intervalo - Café
10:00 - Oficinas - Parte 1:
             Instrumentos: HNC de Roupa Nova – Adriana Heringer Gomes  (10:00– 11:15)                                 Cânticos nos Grupos Musicais – Rev. Claudio Cardozo  (11:15 – 12:30)
             Canto: Voz de Canto – O Louvor com Arte – Laura Aimbiré
             Prática Coral – Laura Aimbiré
             Sonorização: Cadu Aranha
12:30 -  Almoço
13:30 -  Sorteio de CDs
13:40 -  Mini Palestra "Microfonia- a Culpa é de Quem?" – Cadu Aranha
14:00 -  Palestra "A Música no Culto” – Rev. Heleno Montenegro
15:00 -  Fórum
16:00 -  Oficinas - Parte 2 (Revisão e ensaio para encerramento – Oficinas de Instrumentos com 45 min./cada)
17:30 -  União das oficinas
18:00 - Encerramento (Presb. Ciro Aimbiré de Moraes Santos - Presidente do SIC)
18:15 -  Lanche de Despedida



Músicos que adoram em Espírito e em Verdade 

Palestra de abertura proferida pelo Rev. Dr. Davi Charles Gomes que tratará do louvor e da adoração no culto ao Senhor.

Microfonia - A Culpa é de quem?   

Carlos Eduardo Aranha, especialista em sonorização, falará a respeito dos equipamentos de som nas igrejas e como um sistema bem ajustado pode ajudar no louvor e adoração durante o culto.


A Música no Culto
Nesta palestra o Rev. Heleno mostrará como a música no culto pode nos aproximar do Senhor e prestar um verdadeiro culto a quem é digno de receber toda honra e adoração.


OFICINAS
Cânticos nos Grupos Musicais - O Rev. Claudio trata esta oficina de forma bastante prática, onde os instrumentistas dos grupos de música são levados a praticar a harmonia e conjunto dos instrumentos quando tocam juntos. Cada participante deverá levar seu instrumento.
HNC de Roupa Nova                     
Nesta oficina, a Profª Adriana ensinará novos arranjos para os hinos no Hinário Novo Cãntico.
                           
Sonorização                                                          
O Cadu Aranha vai ensinar as tecnicas de sonorização nas igrejas, como operar uma mesa de som, equilibrar o volume dos instrumentos e vozes e preparar o equipamento para o culto.

Voz de Canto - O Louvor c/Arte

Esta oficina é conduzida pela Profª Laura Aimbiré e trata da prática do canto coral, como fazer aquecimento da voz e praticar o canto em harmonia.

CONTEXTO HISTORICO DE IGREJAS EMERGENTES


 Herley Rocha Souza

Em 2013 , o licenciado Herley Rocha Souza da Igreja Presbiteriana de Cidade Ademar
apresentou este artigo procurando  fazer uma análise preliminar do movimento denominado “igreja emergente” 

1) CONTEXTO HISTÓRICO E FILOSÓFICO DO MOVIMENTO EMERGENTE.

É um movimento pós-moderno o que significa que sua definição é algo difícil, devido ao seu caráter fluído. É bom lembrar que uma das características do pós-modernismo é a negação de qualquer possibilidade de definição.
Trata-se de um movimento em expansão dentro da igreja evangélica nas últimas duas décadas. No que diz respeito à história, Gibbs e Bolger afirmam que o termo igreja emergente foi usado pela primeira vez por Karen Ward (Igreja dos Apóstolos, Seattle), quando ela criou um site na Internet denominado EmergingChurch.org. A intenção de Ward era somente manifestar a sua inquietude e frustração com a igreja evangélica no início dos anos 90. Já no final daquela década, Brian McLaren, um dos nomes mais reconhecidos dentro do movimento, começou a usar o termo “emergente” em seus livros, especialmente quando escreveu A Ortodoxia Generosa.
Para McLaren era necessário que a igreja descobrisse e desenvolvesse uma ortodoxia diferente da ortodoxia praticada pela igreja evangélica durante o período do modernismo. Era necessário, segundo ele, desenvolver uma ortodoxia generosa em oposição à ortodoxia inflexível do período moderno. Ele afirma: “O significado de emergente é uma parte essencial do ecossistema da ortodoxia generosa... Pense em um corte transversal numa árvore. Cada anel representa, não a substituição dos anéis anteriores, não a sua rejeição, mas a sua adoção, a sua inclusão em algo maior.
Confirmando essa perspectiva, uma das obras de Mclaren reivindica “um novo tipo de cristão”, o cristão pós-moderno. Nesse livro, McLaren apela claramente aos cristãos a que abracem o pós-modernismo e se adaptem à maneira pós-moderna de pensar. Dentro desse espírito, para alguém ser emergente ele deve negar, inclusive, a necessidade de uma declaração de fé e qualquer forma que sugira um dogma comum.
No site emergent-us, um dos links na página inicial é “Declaração de Fé(?)”, onde Tony Jones, o coordenador nacional, explica que a ideia de ter uma declaração de fé é “trilhar uma estrada pela qual não queremos andar”. Logo, estamos diante de algo que existe como um movimento, mas, ao mesmo tempo, pela sua fluidez de suas propostas, é essencialmente caracterizado pela ambiguidade. Podemos então, provisoriamente, definir a igreja emergente como uma reação ao cristianismo do período moderno sob a pressuposição de que o cristianismo, como se desenvolveu no modernismo, tornou-se arcaico e irrelevante para a geração contemporânea. Uma das tônicas do movimento é que antes de ser, primeiro é fundamental pertencer. A comunidade projeto242, existente no Brasil, traz a seguinte proposta comunitária: “Queremos oferecer às pessoas um local onde elas possam se sentir parte antes mesmo de acreditar”. Essa abordagem pragmática, fundamentada na experiência, faz com que a análise do movimento apele para relatos pessoais de suas experiências emergentes.

2) DEFINIÇÃO DE IGREJA EMERGENTE.

Segundo o portal Igreja Emergente[1] (que pelo visto não existe mais), uma igreja emergente é basicamente “um movimento cristão onde as pessoas buscam viver sua fé em um contexto social pós-moderno”.
“A igreja emergente é um movimento da Igreja Protestante, iniciado por americanos e ingleses, com a finalidade de alcançar a Geração Pós-moderna. Refletindo as necessidades e os valores percebidos desta geração, as igrejas emergentes enfatizam o autêntico, a expressão criativa e uma perspectiva sem julgamentos, procurando reavaliar as doutrinas (ecclesia reformata, semper reformanda...). Igreja emergente é simplesmente um termo usado para denominar as igrejas que nasceram ou que foram [re]estruturadas para um contexto pós-moderno, pós-cristão de ser Igreja no Mundo de hoje.
O Dr. Rev. Mauro Meister, escrevendo sobre o assunto, em 2006, no blog “O Tempora! o Mores![2]”, faz a seguinte avaliação da definição oferecida pelo blog da Igreja Emergente:

Síntese do que é uma igreja emergente:
a. um movimento da igreja protestante;
b. tem a finalidade de alcançar a geração pós-moderna;
c. ênfase: o autêntico, a expressão criativa e uma perspectiva sem julgamentos, procurando reavaliar as doutrinas;
d. origem: igrejas que nasceram ou que foram [re]estruturadas para um contexto pós-moderno, pós-cristão de ser Igreja no mundo de hoje.

Devemos, porém, entender que ainda não é possível encapsular todos os emergentes em uma única categoria. A primeira coisa que aprendemos a respeito do movimento emergente é que ele ainda é amorfo, ou seja, não possui uma forma definida. Não há uma determinada teologia ou uma determinada eclesiologia que caracterize uma Igreja como emergente. Isso se dá porque a Igreja Emergente, como concebida hoje, é uma rede de cristãos oriundos de diversas tradições religiosas na qual se discute a expressão da Igreja em um contexto pós-moderno. Formas alternativas de adoraçãoevangelismo e vida em comunidade são discutidas de forma ampla e livre nesta nova esfera.
Participantes deste diálogo se apresentam como evangélicos, pós-evangélicos, liberais, pós-liberais, carismáticos, pós-carismáticos e neo-carismáticos. A princípio, a única característica em comum entre todos os emergentes é o descontentamento com a atual Igreja Institucional, o que por sinal é o combustível do diálogo proposto pela Igreja Emergente.
Tentar definir a Igreja Emergente é algo difícil, pois sendo ela caracteristicamente pós-moderna, é quase indefinível. Veja como este post do blog www.igrejaemergente.blogspot.com confirma esta idéia: “As igrejas emergentes não possuem sistemas ou fórmulas, são variáveis conforme o contexto cultural, interdenominacionais, não podem ser copiadas, não possuem uma doutrina definida e sim procuram expressar Deus em diversas formas, tentando desconstruir as barreiras que as denominações impuseram. Existe uma variedade de Igrejas Emergentes com diferentes interpretações teológicas em que elas acreditam. Somente porque você ouviu dizer que uma Igreja é "Emergente", não significa que elas possuem os mesmos valores ou praticam as mesmas coisas.” 
Mark Driscoll[3] é alguém que, na década de noventa, fez parte do movimento, porém saiu. E o Pr. Driscoll, em um vídeo[4], separa a Igreja Emergente em quatro alas diferentes:
1 – Os emergentes que tendem a ser liberais.
2 – Os emergentes evangélicos que tentam inventar uma nova forma de Igreja, como Igreja nos lares.
3 – Os emergentes evangélicos que seguem a teologia do tipo evangélica tradicional e que tentam atualizar a música, atualizar o estilo, tentam ser mais modernos e descolados, mais ligados nas tendências, uma Igreja 2.0 para jovens.
4 – Uma corrente neo-reformada, que mantém as características da teologia reformada, mas também estão realmente preocupadas em como a Igreja deve ser como missionária, aí entra o lance missional, dentro da cultura pós-moderna.

Pensando na Igreja Emergente como tendo realmente essas quatro alas diferentes, creio que a única conclusão que podemos chegar é que não temos como chegar a uma definição precisa quanto ao que é a Igreja Emergente, talvez o melhor que podemos fazer e dizer que se trata de um movimento composto de pessoas ditas cristas protestantes que buscam serem relevantes e missionais em uma cultura pós-moderna; pessoas que, embora, talvez, tenham começado com uma boa intenção, tem cometido grandes equívocos nesta busca.

3) PRINCIPAIS EXPOENTES DO MOVIMENTO EMERGENTE.

A) Brian McLaren
 Nasceu em 1956. Alcançou em 2004 o Doutorado em Divindade pelo Seminário Teológico Carey em Vancouver, British Columbia, Canadá.  Escreveu mais de 19 livros, entre eles “Uma Ortodoxia Generosa”, onde ressalta os principais pontos dele ser um emergente. Ele tem sido muitas vezes apontado como um dos mais influentes líderes cristãos da América e foi reconhecido pela revista Time como um dos 25 Evangélicos Mais Influentes da América em 2005. No mês passado ele realizou o casamento homossexual do seu próprio filho.

B) Rob Bell
 Robert Holmes "Rob" Bell Jr. (nascido em 23 de agosto de 1970 em Ingham County, Michigan ) é um americano autor e pastor . Ele é o fundador daIgreja Mars Bíblia Colina localizada em Grandville, Michigan e também é o orador principal de uma série espirituais de curtas-metragens chamados NOOMA . Em 2011, a revista Time nomeou Bell para a sua lista das 100 Pessoas Mais Influentes do Mundo.
Bell recebeu seu diploma de bacharel em 1992 de Wheaton e ensinou esqui aquático nos verões no Rock Wheaton College Mel Camp, fazendo cerca de 30 dólares por semana. Durante este tempo, Bell ofereceu para ensinar uma mensagem cristã para os conselheiros do acampamento depois que nenhum pastor pode ser encontrado. Ele ensinou uma mensagem sobre descanso. Bell foi depois abordado por várias pessoas, cada uma delas dizendo que ele deve buscar o ensino como uma carreira. Rob Bell se mudou para Pasadena, Califórnia, para prosseguir esta vocação para o ensino e recebeu um M.Div. partir Seminário Teológico Fuller . De acordo com Bell, ele nunca recebeu boas notas na pregação classe porque ele sempre tentou formas inovadoras de comunicar suas idéias.
Escreveu 7 livros e atualmente está trabalhando em um drama para a rede de televisão ABC.


C) Scot McKnight
 McKnight nasceu em Illinois e cresceu em Freeport, Illinois. Ele recebeu seu diploma de bacharel em Grand Rapids Baptist College. Mestrado de Trinity Evangelical Divinity School e um Ph.D. da Universidade de Nottingham , em 1986.
Estudioso, historiador do cristianismo primitivo, teólogo, palestrante, autor e blogueiro que tem escrito extensamente sobre o Jesus histórico, o cristianismo primitivo, a igreja emergente e movimentos missionários da igreja, a formação espiritual e de vida cristã. 
Ele é atualmente o professor em Estudos Religiosos da Universidade North Park. Também é professor no Seminário Teológico Batista do Norte. McKnight se considera um anabatista e também tem escrito frequentemente sobre questões em anabatismo moderna.
McNight é um autor prolífico, com mais de 20 livros de sua autoria. Um dos livros mais populares de McKnight, O Credo de Jesus , ganhou o Christianity Today Book Award de 2004 na área da vida cristã e tem gerado um número de populares em pequenos grupos de estudos e uma série de DVD. McKnight é um autor e palestrante bastante popular sobre temas relacionados com a igreja emergente. Seu blog, é o blog on-line mais popular relacionado com o movimento. Ele geralmente tem sido um defensor do movimento e apoiado muitos dos objetivos do movimento. No entanto, nos últimos anos ele tem manifestado alguma preocupação com a direção que o movimento vem tomando, principalmente de alguns dos trabalhos por seu amigo Brian McLaren. No entanto, McKnight continua a apoiando muito do que simboliza o movimento, incluindo grande parte do trabalho da McLaren.

D) Dan Kimball
 Dan Kimball é pastor e fundador da equipe da Igreja Fé Vintage (Vintage significa algo clássico; antigo; bom) em Santa Cruz, Califórnia. A Igreja Fé Vintage começou em 2004 como uma planta da Igreja Bíblica de Santa Cruz, onde Kimball anteriormente serviu como um pastor de adolescentes e jovens.
Kimball é um graduado no Multnomah Seminário Bíblico. Ele também tem um doutorado em liderança na George Fox University . Dan Kimball serve como um membro do corpo docente da Western Seminarye como Professor de Liderança Missional em George Fox University.
A Declaração de fé da Igreja Fé Vintage identifica o seu desejo de ser uma "comunidade de adoradores de teólogos missionais". A igreja, juntamente com os escritos de Kimball, centra-se em um repensar da igreja através de uma lente missional para as novas gerações e culturas. Isso inclui a criação de serviços de adoração que utilizam a arte, estações de oração, e outras formas criativas e artísticas de culto, além de pregar e cantar. Como parte desta visão, missão orientada utilizando as artes, a Igreja Fé Vintage abri os 7 dias da semana uma cafeteria, uma galeria de arte e espaço de música no prédio da igreja chamado “The Abbey”.

Escreveu mais de 10 livros, entre eles:
§  A Igreja Emergente: cristianismo vintage para as novas gerações, (prefácios por Rick Warren e Brian McLaren )
§  Culto emergente: Criando Encontros Culto para as novas gerações.
§  Eles gostam de Jesus, mas não da Igreja: Insights das gerações emergentes.
§  Ouvindo as Crenças das Igrejas Emergentes.
§  Eles gostam de Jesus, mas não do Kit Curriculum da Igreja.

4) IDEIAS E PRESSUPOSTOS GERAIS DA IGREJA EMERGENTE.
 Abordaremos algumas das características principais da Igreja Emergente. É complicado podermos definir exatamente o que é a Igreja emergente, como já foi exposto, mas podemos ter uma ideia dos pressupostos e ideias principais que, conscientemente ou não, estão por trás da Igreja emergente e seus líderes.

A) Anti Absolutismo.
 A igreja emergente, sendo fruto de uma sociedade pós-moderna, está totalmente comprometida com seus pressupostos. Um desses pressupostos é a aversão à absolutização de qualquer coisa.
O emergente não concorda com absolutizações, por essa razão encontramos, dentre outras, três importantes traços dessas pessoas.

a. Contra o Institucionalismo.
Elas são contra o Institucionalismo, vimos que a igreja emergente é como que uma reação à Igreja moderna, é uma tentativa de mudança, e essa mudança, na visão de seus ativistas, deve ser totalmente contra qualquer tipo de institucionalização, pois isso para eles é o que trouxe desgraça à igreja. A instituição fez com que perdêssemos de vista o que realmente importa no Cristianismo, desse modo há uma aversão a qualquer tipo de estrutura, não só instituição, mas também a hierarquia.
Tiago Costa, pastor batista escreveu: A princípio, a única característica em comum entre todos os emergentes é o descontentamento com a atual Igreja Institucional, o que por sinal é o combustível do diálogo proposto pela Igreja Emergente.”

b. Contra a Hierarquia.
 Assim como são contra a instituição, também são contra a hierarquia, tudo que “engessa” a Igreja. Dr. Mauro Maister escreveu: “É comum encontrar nos relatos emergentes a noção de que as estruturas eclesiásticas do modernismo e suas hierarquias são anti-bíblicas. Em igrejas emergentes não se encontram pastores titulares, bispos, etc. As hierarquias são anátemas”. Os emergentes buscam uma expressão religiosa que seja livre de qualquer tipo de estrutura e hierarquia.

c. Rejeição da ortodoxia.
 Podemos também perceber nas ideias emergentes uma clara rejeição da ortodoxia. Os emergentes não prezam por uma teologia específica, na realidade a própria natureza do movimento é contra ter algo assim, por ser contra a absolutização. Eles não declaram que não tem uma ortodoxia, mas para eles a ortodoxia deve ser algo amplo e flexível, de modo que não exclua qualquer ideia.
Tiago Costa trata sobre o assunto dizendo: “Este relativismo é a espinha dorsal de uma teologia que se cristaliza entre alguns emergentes e como resultado, muitos emergentes desenvolveram uma ojeriza a dogmas e ao compromisso doutrinário”.
Para muitos emergentes, nunca há somente uma resposta possível às diversas questões da vida.
Vemos claramente que a agenda de tais pensadores emergentes não é tornar as coisas mais simples e sim substituir a teologia ortodoxa pela filosofia pós-moderna para a interpretação das Escrituras.
Questões como o nascimento virginal de Cristo e sua divindade, o homossexualismo e a fornicação como práticas pecaminosas, a existência do inferno, a crença no sacrifício vicário de Cristo como único meio de salvação para o gênero humano, e outras doutrinas defendidas pelo Cristianismo ortodoxo são questionadas por alguns emergentes. Para alguns emergentes, a interpretação da Bíblia deve passar pelo crivo do pensamento pós-moderno.”
Desse modo a teologia não tem um caráter fundamental para o movimento, por essa razão também são contra a adoção de uma confissão de fé.
Vemos claramente que todo o movimento é caracterizado pela ambiguidade e relativização de tudo.

B) Relativismo e Pluralismo.
 O Segundo ponto principal que pudemos notar no movimento emergente foi o Relativismo e Pluralismo. Na realidade está diretamente ligado com a Anti-absolutização. Como não se absolutiza nada, tudo se relativiza.
Mauro Meister em seu artigo cita McLaren: “Em seu livro com este título, Generous Orthodoxy, McLaren declara a essência de seu PLURALISMO:
Por que eu sou um cristão missional, evangélicos, pós protestante, liberal/conservador, místico/poético, bíblico, carismático/contemplativo, fundamentalista/calvinista, anabatista/anglicano, metodista, católico, verde, incarnacional, depressivo-mas-esperançoso, emergente e não-acabado.”
Essa relativização se dá pelo pensamento pós-moderno de que não há uma verdade apenas, podemos sempre ter diversas interpretações, também a Bíblia não foge disso.
Nessa linha de pensamento, o que passa a ser importante não é mais a verdade única, mas sim a experiência de cada pessoa.
“Então com esta visão de que não há um sentido único, a mente pós-moderna recusa a dizer que a verdade é exata, e não limitam a verdade pura e simplesmente a sua mente racional, acreditam que há outras maneiras, outros caminhos validos para o conhecimento além da razão, assim a experiência do ser se valida com suas emoções e intuições” escreve Gustavo Castro de Souza em sua monografia.
Na Igreja Emergente a temática do experiencial percorre todo o culto, e este é o foco central. Assim o culto tem um alcance muito maior a estas pessoas que de certa forma já tem em mente os pensamentos de um mundo pós-moderno. Podemos ver a importância dada a experiência pelos emergentes, isso é decorrente do fato de não existir uma verdade absoluta, algo deve ser priorizado.
Outra decorrência importante desse pluralismo e relativismo é o ecumenismo. Os emergentes, ao descartar uma confissão de fé, dar mais importância à experiência e crer numa pluralidade de interpretações, passa a aceitar todo tipo de ideias ditas cristãs. Veja o que o site do Emergent Village diz a respeito disso: “Nós nos comprometemos a honrar e servir a Igreja em todas as suas formas – Ortodoxa, Católica Romana, Protestante, Pentecostal, Anabatista. Nós praticamos uma “eclesiologia profunda” – ao invés de favorecer algumas formas de ingreja e criticar ou rejeitar outras, nós pensamos que toda a forma de igreja tem fraquezas e forças, obrigações e potencial.” E mais “Nós buscamos ser pacíficos e inclusivistas com todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo, ao invés de elitistas e críticos”. A forma como esse site, que é uma grande organização emergente, trata o assunto já nos mostra como pensam. O ecumenismo é patente nesse movimento.

C) Desconstrucionismo.
 Esse terceiro ponto é também muito importante de ser levado em consideração. Os emergentes não concordam com o modo como a Igreja está hoje, ou como se desenvolveu durante os séculos, eles buscam um retorno ao modo em que os discípulos e Jesus viveram, ou pelo menos é isso o que pregam. No entanto, para que isso ocorra é necessário que uma grande mudança seja feita.
“Esse perfil de protesto marca o movimento como desconstrucionista. A igreja evangélica no final do século 20 precisa ser desconstruída para ser reconstruída, a começar dos conceitos de verdade absoluta que a mesma mantém. Para Kimball a igreja vive um momento de transição entre o modernismo e pós-modernismo e isto exige que as bases do cristianismo moderno sejam realinhadas para a geração pós-moderna. O cristianismo do modernismo é fundamentado no monoteísmo racional e na religião proposicional, com uma sistemática local e uma verdade individualista. Já na era pós-moderna o cristianismo se fundamentará no pluralismo experimental, na narrativa mística, fluida, global, e na preferência comunal/tribal.
Todo movimento que deseja uma reforma precisa passar primeiramente por uma desconstrução, para que se possa construir algo.

D) Missionalismo.
 Por último, um ponto que é também característico dos emergentes é que se declaram missionais. Isso significa que a igreja emergente deve procurar se orientar pelas necessidades do mundo ao invés de buscar se auto preservar.
McLaren declara : “. . . a fé cristã missional afirma que Jesus não veio fazer algumas pessoas salvas e outras condenadas. Jesus não veio ajudar algumas pessoas a serem corretas e enquanto deixa todas as demais erradas. Jesus não veio para criar outra religião exclusiva – o judaísmo sendo exclusivamente baseado em genética e o cristianismo sendo baseado exclusivamente na crença (o que pode ser um requisito mais difícil do que a genética).
A ideia é muito boa, e seria ótimo de pudéssemos ser assim, mas os emergentes aplicaram-na de um modo errado e isso tornou-se algo extremamente nocivo. Essa ideia missional tornou o movimento totalmente inclusivista. Já vimos como o movimento aceita qualquer tipo de crença e é ecumênico, outro ponto então é que são inclusivistas.
Gustavo Castro escreve: “A fé missional que McLaren expõe é totalmente inclusivista, ela não é condizente com a fé que só salva alguns e coordenam outras. Jesus não veio para criar uma religião exclusivista como o Judaísmo, que era exclusiva para quem tinha a religião por genética, já o cristianismo se tornou exclusivo baseando-se em crenças, o que pode ser pior que o exclusivismo genético.”
Existe claramente uma preocupação muito grande com as pessoas nesse movimento. Esse inclusivismo veio como uma reação ao estritivismo clássico pregado pela ortodoxia, além disso podemos ver o foco dado pelos emergentes na comunidade.
No site EmergentVillage.org é clara a ideia de comunidade dos emergentes, o próprio site é uma tentativa de unir a todos em comunidade.

5) LOBOS EM PELE DE OVELHA.
 É interessante vermos que o movimento é realmente perigoso, pois busca minar a teologia ortodoxa e suas práticas, é um movimento de reforma da reforma, busca desconstruir tudo o que foi feito em 500 anos de protestantismo. Mas apesar de todo esse perigo, é um movimento que se apresentar de uma maneira bonita. Podemos ver que os emergentes se dizem cristãos que estão preocupados com as outras pessoas e querem viver a vida cristã como Cristo viveu.
Como eles se apresentam, de acordo com o Emergent Village:

a. Comprometimento com Deus do modo de Jesus.
 Nós nos comprometemos a fazer justiça, bondade, e andar em humildade com Deus. Entendemos que o evangelho é centrado em Jesus e sua mensagem do Reino de Deus, uma mensagem que oferece reconciliação com Deus, humanidade, criação e consigo mesmo. Nos comprometemos a amar um ao outro mesmo quando descordamos.

b. Comprometimento com a Igreja em todas as suas formas.
Nós nos comprometemos a honrar e servir a Igreja em todas as suas formas – Católica Romana, Protestante, Pentecostal, Reformada, Luterana.
Buscamos ser receptivos e inclusivistas com todos os irmãos e irmãs em Cristo, ao invés de elitistas e críticos.

c. Comprometimento com a Palavra de Deus.
 Nós praticamos a fé missional, onde não nos isolamos dos demais homens no mundo. Nós seguimos a Cristo no mundo.

d. Comprometimento de uns aos outros.
Nós nos identificamos como membros dessa crescente, global, geradora, e não-exclusiva amizade.
Podemos ver como as declarações do site são de certa forma bonitas, pregando a amizade, o amor aos outros, a aceitação, a não crítica... realmente são bonitas, mas tudo isso é feito do modo errado, colocando em cheque o que é a verdade, verdade de Deus, e trazendo destruição para a fé verdadeira que tem como conteúdo Cristo na cruz.

6) CONTRASTES ENTRE UMA IGREJA ORTODOXA E UMA IGREJA EMERGENTE.

Igreja Ortodoxa
Igreja Emergente


Palavra
Relacionamentos
Sistema doutrinário definido
Não possui sistema doutrinário definido
Zelo pela tradição
Protesto contra a tradição
Restritivista
Universalista
Autoridade Total do N.T
Teologia da Subordinação Paulina
Conservadorismo Teológico
Liberalismo Teológico

A) Prioridade a Palavra x Prioridade são os Relacionamentos.
Tudo na igreja é baseado em relacionamentos. Por isso existe o “Movimento sensível aos ouvidos”, ou seja, não se pode pregar nada que seja agressivo ao ouvinte. A mensagem é subordinada aos ouvidos do ouvinte.
Os relacionamentos se tornam a base da igreja. Porém, relacionamentos que não são pautados e subordinados a Palavra, tendem a sucumbir. Esta inversão, ou seja, relacionamentos como algo primário e a Palavra como secundário é justamente colocar o homem como centro de todas as coisas no culto e na vida da igreja.
  
B) Sistema doutrinário definido x Não possui sistema doutrinário definido.
A Igreja Emergente evita qualquer ideia de um credo ou confissão. No site emergent-us, um dos links na página inicial é “Declaração de Fé(?)”, onde é explicado pelo coordenador nacional, Tony Jones, que a idéia de ter uma declaração de fé é “descer por uma estrada na qual não queremos andar”. Logo, estamos diante de algo que existe como um movimento, mas, ao mesmo tempo, pela sua fluidez de suas propostas, é essencialmente caracterizado pela ambigüidade. Podemos dizer que a "igreja emergente" é, na verdade, uma filosofia que não quer se definir. Isto não implica, no entanto, que não se possa entender o que está por trás do movimento.

C) Zelo pela Tradição x Protesto contra a Tradição.
 Uma primeira característica do movimento emergente é o seu PROTESTO contra os modelos tradicionais de igreja do período moderno. Dizem os emergentes que a igreja evangélica deste período é marcada por características que a fazem incompatível com a pós-modernidade. Uma das marcas do protesto é a aversão ao absolutismo, ou seja, a forma de pensar do modernismo, que admite o conceito de verdade absoluta com bases fundamentalistas. Deduz-se que a primeira forma de oposição encontrada no discurso de vários líderes emergentes é a antítese ao pensamento bíblico da verdade revelada por Deus nas Escrituras e até então compreendida pela igreja. Na visão de vários destes líderes, a igreja da era da modernidade foi marcada pela cultura "inautêntica". Mike Yaconelli, outro expoente emergente, editou Stories of Emergence: Moving from Absolute to Authentic (Estórias de Emergência: movendo-se do absoluto para o autêntico). No livro encontram-se narrativas de vários líderes emergentes batendo na seguinte tecla: a autenticidade não esta presente na igreja; é necessário que a igreja se torne autêntica.
O movimento emergente tem quatro frentes de protesto: o protesto contra a igreja evangélica tradicional, contra a forma que interpretam o modernismo, contra a igreja "seeker sensitive", isto é, voltada para os interessados e protesto contra os conceitos de autoridade e hierarquia.
É comum encontrar nos relatos emergentes a noção de que as estruturas eclesiásticas do modernismo e suas hierarquias são anti-bíblicas. Em igrejas emergentes não se encontram pastores titulares, bispos, etc. As hierarquias são anátemas.
Existe também uma falta de perspectiva histórica, pois o protesto contra a tradição nada mais é do que uma total falta de consideração por mais de dois mil anos de história da Igreja Cristã.


D) Restritivismo x Universalismo.
Muitos emergentes, influenciados pela teologia liberal que irradia da Vila Emergente, estão abraçando o universalismo (crença de que no final, todos serão salvos e ninguém irá para o inferno). Neste tipo de crença, a pregação do arrependimento e batismo para remissão de pecados é obscurecida (na melhor das hipóteses) ou substituída (na pior das hipóteses) pela “prática do amor” na forma do evangelho social.
Restritivismo afirma que para alguém ser salvo, é indispensável ouvir o Evangelho nesta vida e fazer uma decisão por Cristo. Essa é a interpretação que mais parece se afinar com o ensino das Escrituras.

E) Reconhece a total Autoridade do N.T. x Teologia da Subordinação Paulina.
Os emergentes têm os Evangelhos como obra de autoridade máxima sobre todas as outras obras da Bíblia. Usam os Evangelhos para ressaltar as boas obras de Cristo na terra sem terem que abraçar toda a proposta doutrinária delineada nos escritos paulinos.
Jesus somente caminhou na terra fazendo o bem, mas nunca deixou nada escrito quanto aos princípios que regem a dinâmica da Ekklesia na terra. Paulo foi o primeiro a expor sistematicamente a doutrina da expiação e seus efeitos na raça humana e foi o primeiro a estabelecer alguns princípios de conduta na vida da Igreja. E como alguns emergentes rejeitam tudo o que tem cheiro de “dogma” e gostam de ressaltar somente a “prática do bem”, acabaram adotando este pensamento teológico que favorece a subordinação das epístolas paulinas aos Evangelhos. Criou-se então a “Teologia da Subordinação Paulina“. Claramente esta é uma falsa dicotoma.
As Escrituras se complementam entre si, não devem ser colocadas em contraste umas contra as outras, caso contrário estaremos pregando um evangelho parcial. Se nos Evangelhos Jesus operou na terra entre os homens, no restante do Novo Testamento Ele opera na terra por meio dos homens. Portanto, é impossível ter a completa compreensão do eterno propósito de Deus somente por meio dos Evangelhos, razão pela qual Jesus Cristo nunca escreveu nada, com excessão de algumas palavras na areia (no episódio do apedrejamento da mulher adúltera). Esta tarefa ele delegou a seus apóstolos à medida que eles desvelavam na prática o mistério da encarnação de Cristo na Igreja.

F) Conservadorismo Teológico x Liberalismo Teológico
Muitos pensadores emergentes estão bebendo de filósofos pós-modernos como Jacques Derrida, o pai do desconstrucionismo. Em suma, tal pensamento filosófico defende que inevitavelmente há sempre uma multiplicidade de idéias/respostas contida em uma só sentença. Assim, por mais clara que uma afirmação possa parecer, há sempre uma outra forma de interpretá-la e não há somente uma resposta possível. Este relativismo é a espinha dorsal de uma teologia que se cristaliza entre alguns emergentes e como resultado, muitos emergentes desenvolveram uma ojeriza a dogmas e ao compromisso doutrinário. Para muitos emergentes, nunca há somente uma resposta possível às diversas questões da vida.
Ironicamente alguns emergentes se irritam e reclamam da complexidade do “teologiquês” dos teólogos ortodoxos. Estes clamam por “simplicidade”, mas paradoxalmente adotam uma linguagem filosófica na construção de suas idéias ainda mais complicada para o leitor comum do que a teologia tradicional. Vemos claramente que a agenda de tais pensadores emergentes não é tornar as coisas mais simples e sim substituir a teologia ortodoxa pela filosofia pós-moderna para a interpretação das Escrituras.
Questões como o nascimento virginal de Cristo e sua divindade, o homossexualismo e a fornicação como práticas pecaminosas, a existência do inferno, a crença no sacrifício vicário de Cristo como único meio de salvação para o gênero humano, e outras doutrinas defendidas pelo Cristianismo ortodoxo são questionadas por alguns emergentes. Para alguns emergentes, a interpretação da Bíblia deve passar pelo crivo do pensamento pós-moderno. 
A maioria das Igrejas Emergentes e seus derivados não creem na infalibilidade do texto bíblico porque para eles a Bíblia não é um produto divino, e sim um produto cultural de Israel da Antiguidade e da comunidade cristã do séc. I. É a ressurreição do liberalismo teológico com o qual a Igreja já teve que lutar anteriormente, no início do século passado. E duas das figuras mais proeminentes entre os liberais emergentes estão se tornando populares no Brasil:
Rob Bell compara o nascimento virginal de Jesus Cristo com as lendas mitológicas de sua época e diz que o cristianismo não perderia muito se José fosse o pai biológico de Jesus. Apesar de não negar abertamente o nascimento virginal de Cristo, Bell claramente levanta dúvidas sobre a questão e reduz sua importância teológica.
Brian McLaren prega que o inferno não existe e que devemos decretar uma moratória teológica de pelo menos cinco anos antes de definir se homossexualismo é realmente pecado. Sua cria, a Vila Emergente, já apoia o movimento gay abertamente. Enquanto isso, as mulas de Balaão pós-modernas profetizam aos berros no ouvido dos emergentes:
“Alegro-me com o fato de os teólogos liberais estarem se esforçando ao máximo para fazer o que Pio Nono disse que jamais poderia ser feito: tentar conciliar o Cristianismo com a ciência moderna, com a cultura moderna e com a sociedade democrática. Se eu fosse um cristão fundamentalista, estaria chocado com esta versão ambígua da fé cristã. Mas já que não sou cristão e que tenho horror às barbaridades promovidas por muitos cristãos fundamentalistas (como a homofobia, por exemplo), sou a favor dos teólogos liberais. Pode ser que os teólogos liberais produzam uma versão de cristianismo tão irresoluta que ninguém mais se interessará em ser cristão. Se isso acontecer, algo será perdido, mas se ganhará muito mais.” (Richard Rorty, filósofo pós-moderno, em entrevista à revista Modern Reformation)

7) A IGREJA EMERGENTE NO BRASIL.

A) Projeto 242[5] – São Paulo - SP
 O Projeto 242 é parte da organização missionária Steiger Internacional, dedicada a alcançar e discipular a cultura jovem global com o amor de Jesus.
O Steiger compartilha do interesse de Deus pela cultura jovem global, que tem sido alvo fácil de valores, lendas e símbolos promovidos pela indústria do entretenimento. Esse fator, combinado com a falência da estrutura familiar, tem levado milhões de adolescentes e jovens adultos a um vazio interior, à ira e ao desespero.
Esta geração emergente – aproximadamente 1 bilhão de pessoas – constitui o maior grupo de pessoas não alcançadas com o Evangelho. De muitas maneiras, a Igreja se tornou culturalmente distante e aparentemente irrelevante para suas vidas. Eles têm uma falsa ideia de quem é Jesus. Estão buscando por significado e propósito, mas dificilmente procurarão pela Igreja para encontrar isso. Através da música, mídia e várias formas de arte, o Steiger leva o Evangelho a lugares fora da Igreja, onde equipes missionárias convencionais raramente vão.

a) Por que Projeto 242?
Projeto 242 é uma alusão ao texto de Atos 2.42, em que Lucas narra sobre a primeira comunidade cristã formada após a ascensão de Jesus e a descida do Espírito Santo no Pentecostes. Essa comunidade era marcada por sua devoção ao ensino das Escrituras (doutrina do apóstolos), aos relacionamentos saudáveis (comunhão), à vivência cristo-cêntrica (partir do pão em memória de Cristo) e dependência total de Deus (orações).

b) Desde quando o P242 existe?
O Projeto 242 existe desde janeiro de 1998, quando um pequeno grupo de amigos e companheiros de jornada cristã começou a se reunir num flat na região da Avenida Paulista. Em setembro de 2000, foi alugada uma casa na Vila Mariana, onde a comunidade se reuniu até julho de 2008. Atualmente o Projeto 242 se reúne em sua sede própria, no bairro da Liberdade. Durante esse tempo, o Projeto 242 passou por várias mudanças, sempre buscando ser fiel tanto às Escrituras, quanto ao chamado para ser uma alternativa às gerações emergentes.
A revista Cristianismo Hoje se referiu ao Projeto 242 como uma igreja emergente. O Projeto 242 surgiu bem antes dos termos “igreja emergente” virarem moda, mas sempre com uma proposta de comunicar-se com as novas gerações, falando sua linguagem. Uma das primeiras frases utilizadas pelo Projeto 242 em sua concepção expressava o desejo de ser inovador na metodologia e conservador em sua doutrina. O Projeto 242 é uma igreja emergente, não apenas por entender que sua missão é comunicar o Evangelho para as gerações emergentes, mas também porque é uma comunidade de pessoas em processo contínuo de amadurecimento e descoberta de sua identidade em Cristo.
O nome “Projeto 242” surgiu de Atos 2.42 (“Todos os que creram estavam juntos e perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.”) É uma tentativa de criar uma comunidade tendo como parâmetro o que está escrito nesta passagem.

c) O que é o Projeto 242?
É uma comunidade de pessoas unidas por valores, propósitos e ideais. Acreditam na democratização da arte e da cultura e na relevância da espiritualidade. Sonham e trabalham por um mundo melhor, onde haja justiça social, onde todos tem o que necessitam, onde a natureza seja tratada com respeito e onde aprendamos a amar uns aos outros. Segundo eles, os sonhos e atividades são inspirados na pessoa de Jesus e alimentados por nossa fé nele.

d) O que Professam?
Em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. No Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém

e) Valores.
CONEXÃO - Valorizamos a conexão verdadeira com Deus e com o próximo.
TRANSFORMAÇÃO - Valorizamos a transformação de nossas vidas por meio da prática de disciplinas espirituais.
SERVIÇO - Valorizamos o uso de nossos recursos e talentos no serviço de amor a Deus e ao próximo.
COMUNICAÇÃO - Valorizamos a comunicação do amor de Deus a todos através de nossas atitudes e palavras.
CRIATIVIDADE - Valorizamos a criatividade como expressão de nossa natureza como filhos do Deus Criador.
Como então são feitas as contribuições para o Projeto 242?
As contribuições são feitas na urna (gazofilácio) durante as reuniões ou mediante depósito direto na conta corrente do projeto.

B) Intervenção Rio – Rio de Janeiro – RJ.
In.ter.ven.ção - Ato ou efeito de intervir. A intervenção pode ser para COIBIR qualquer ato fora do padrão; para AJUDAR a resolver um problema; para MEDIAR.
Segundo seus líderes, a motivação deles é comunicar a graça, compaixão e amor do Pai através da simplicidade do evangelho de Jesus. Intervenção na realidade do mundo, revelando a riqueza, a criatividade e a diversidade que há no Pai. Tem como foco central inserir uma base junto a comunidade através do relacionamento pessoal. Não se limitam a rótulos denominacionais, religioso, cultural ou social. Reúnem-se por terem um interesse em comum: viver a fé cristã de maneira sadia e relevante, experimentar da presença de Deus em nossas vidas. De acordo com os fundadores, não são um grupo de autoajuda ou compartilhar regras para alcançar o sucesso, motivação, conforto e prosperidade. Pregam que você não precisa estar bem vestido. Não precisa esta numa faixa etária específica.
A Intervenção foi criada para pessoas que não precisam fingir a respeito de algo. Segundo seus portal na internet, “a Intervenção Rio de Janeiro é um lugar onde Deus encontra pessoas que estão longe de serem perfeitas. Isso significa que todos são bem-vindos, não importando onde estejam na sua jornada espiritual. Por isso, aprenda no seu próprio ritmo. Pergunte, busque, questione...acreditamos que você encontrará o que está procurando
”.Ainda em seu site, tem outro significado para a palavra Intervenção: “EU POSSO MUDAR!”

a) O que Professam?
De acordo com o seu site, a confissão de fé deles é de natureza reformada:
Sola fide (somente a fé)
Sola scriptura (somente a Escritura)
Solus Christus (somente Cristo)
Sola gratia (somente a graça)
Soli Deo gloria (glória somente a Deus)

C) A Caverna de Adulão – Belo Horizonte – MG.
A CAVERNA teve início em 1992, quando alguns jovens despertaram-se para a necessidade de se levar a mensagem do cristianismo à grande tribo de head-bangers existente naquela época em Belo Horizonte, cidade considerada a capital nacional do heavy metal. Aquele grupo de jovens conhecia bem o modo de pensar, as revoltas e os anseios daqueles cabeludos e, por isso, sabia que, de uma maneira geral, as igrejas estabelecidas não conseguiam se comunicar com aquela tribo. Muitos bangers tiveram uma experiência com o evangelho e passaram a, juntos, vivenciar o cristianismo. Com o decorrer dos anos, o ministério passou a atrair outras pessoas também desvinculadas da sociedade estabelecida, como esotéricos e toda sorte de malucos. E, em 1995, após tentar trabalhar com algumas igrejas, o grupo recebe a ajuda de outros cristãos e decide constituir-se como Comunidade.
O nome Caverna de Adulão foi cunhado da passagem de 1 Samuel 22, nome da caverna onde Davi ficou refugiado ao fugir de Saul. A Caverna de Adulão é uma igreja criada para ser um refúgio para todas as pessoas de padrões socioculturais diferentes, onde as diferenças são respeitadas e servem para mostrar a riqueza da diversidade criativa de Deus, aonde cada pessoa vai descobrindo sua verdadeira identidade, seus dons e suas características específicas dadas pelo Criador.

a) O que Professam?
Em seu portal na internet, eles declaram que suas principais confissões de fé é o Credo Apostólico e o Pacto de Lausanne de 1974.

b) Objetivo Geral.
Ajudar pessoas principalmente de comunidades carentes que querem sair do submundo das drogas, mas sozinhos não conseguem.

c) Objetivos Específicos.
- Recuperar sua dignidade;
- Elevar a sua autoestima;
- Qualificar profissionalmente os jovens durante o tratamento;
- Reintegrar o indivíduo à vida familiar e social, transformando-o num indivíduo útil e feliz;
- Reinseri-lo no contexto religioso-espiritual, o que implica no reconhecimento que Deus é um Pai Bondoso, compreensivo e amoroso, que não o julgará pelo que ele fez.

8) CONSIDERAÇÕES FINAIS.

a) Sinceros, mas equivocados.
 Os defensores e pregadores da chamada igreja emergente possuem motivações sinceras. Reconhecemos que a igreja em algumas ocasiões hostilizou e violentou culturas ao invés de valorizá-las, e que isto de certo modo tem sido uma barreira para a pregação do evangelho. Para reparar essa situação, a igreja precisa desenvolver uma teologia que faça separação entre evangelho e cultura. Além disso, as mutações que vêm ocorrendo na sociedade pós-moderna demandam dos pastores e líderes uma revisão missiológica, reelaborando estratégias e contextualizando sua mensagem para que esta possa ser plenamente entendida pela geração emergente.
O problema é que, basicamente, as igrejas emergentes estão mais preocupadas com o ouvinte do que com a mensagem em si, e em seu desejo de pregar um evangelho que seja “aceitável” ao homem pós-moderno, acabam por negligenciar os pressupostos básicos do cristianismo, chegando mesmo a negar a literalidade do nascimento virginal de Cristo, seus milagres, a ressurreição de Jesus e a existência do inferno eterno.

b) Relativismo, boas obras e ódio pela igreja.
Segundo Kevin Corcoran, outra marca distintiva das comunidades emergentes é “a preferência pela vivência correta ao invés da doutrina correta”. Para alguns, a doutrina realmente não importa, de modo que cosmovisões excludentes como catolicismo e protestantismo são colocadas por eles no mesmo pacote. Estes simplesmente ignoram que não pode haver justificação onde não existe arrependimento e conversão à Verdade. Ao demonstrarem excessiva preocupação com a práxis em detrimento da doutrina, eles se aproximam mais do catolicismo e do espiritismo do que da tradição evangélica, uma vez que a ênfase recai sobre as obras e não sobre a fé.
Existe ainda uma corrente pós-igreja dentro da igreja emergente, que afirma que a própria igreja é o problema e tentam despir-se dela. “Eles sequer usam a palavra igreja e dizem: Nada do que eles fizeram, nós faremos”, diz Jason Clark, outro líder do movimento. Muitos rejeitam até mesmo o título de cristãos e não consentem, em nenhuma hipótese, que chamem suas comunidades de igrejas.
No Brasil, vemos esta influência emergente hostil em Caio Fábio, ex-pastor presbiteriano e atual mentor da comunidade Caminho da Graça, para quem a própria Reforma Protestante foi apenas “um remendo de pano novo em veste velha”, desprezando assim cinco séculos de tradição reformada em nome de sua “nova visão”.

c) Conservadores x Liberais: Duas correntes no movimento.
Considerado por muitos como emergente, Mark Driscoll, pastor da Mars Hill Church em Seatle, crê que a igreja emergente tem um lado positivo, que é o de reconhecer a importância da missão dentro da cultura urbana. No entanto, ele mesmo denuncia a ideologia predominante no movimento, que chama de “a ultima versão do liberalismo”. Tendo sido um dos precursores deste modelo de igreja, o pastor diz ter se afastado assim que percebeu que os líderes emergentes estavam entrando por um caminho estranho, e hoje fala abertamente do seu desacordo com Rob Bell e Brian Mclaren, representantes da ala emergente liberal. Mark é talvez o maior divulgador do que poderíamos chamar de lado bom do movimento emergente.
Dan Kimball, autor do livro “A Igreja Emergente”, também reconhece que há vozes dissonantes dentro do movimento, e faz distinção entre igrejas emergentes e igrejas que estão emergindo. Seja como for, sua abordagem corrobora a ideia de que existem pelo menos duas facções dentro do movimento. As igrejas emergentes, neste caso, seriam caracterizadas por uma teologia liberal e liderança descentralizada, enquanto as igrejas que estão emergindo (ou emergentes conservadoras), embora nutridas do mesmo desejo de alcançar a geração pós-moderna, são culturalmente liberais, mas possuem uma doutrina ortodoxa, fazendo clara distinção entre evangelho e cultura.

9) IMPLICAÇÕES PRÁTICAS.
É verdade que existe certa confusão dentro do movimento emergente, mas não podemos negar que algumas das questões levantadas por seus proponentes são realmente importantes:
- Que estratégias devem ser usadas para levar o evangelho à geração pós-moderna?
- A igreja institucional tem sido boa representante de Cristo?
- Qual o limite entre a contextualização e o sincretismo religioso?
- Até que ponto devemos mergulhar nas diferentes culturas urbanas para pregar o evangelho?
Estas são perguntas sinceras que merecem uma resposta franca e honesta.
A igreja emergente nasce da nossa falta de preocupação e reflexão missiológica, e apesar da sua ala liberal dominada por pressupostos incompatíveis com o evangelho, o movimento possui pontos positivos e tem muito a ensinar-nos. Contudo, precisamos ter muito cuidado para jamais, em nome da forma, comprometer o conteúdo do evangelho.
“Não podemos exagerar em nosso desejo de ser relevantes culturalmente, pois o evangelho sempre será loucura e escândalo para os incrédulos e ao tentar torná-lo mais atraente, podemos acabar convertendo-o em algo que ele não é”. (Leonardo Gonçalves)

[3] Mark A. Driscoll (nascido em 11 de outubro de 1970) é um pastor e autor norte-americano. É pastor e co-fundador da igreja Mars Hill Church emSeattle, Washington, co-fundou a Rede Atos 29 e tem contribuído para a seção "Fé e Valores" do jornal The Seattle Times. Ele ajudou a iniciar A Ressurgência, um repositório de recursos teológicos missionário.

[5] Este projeto começou com o formato de igreja emergente, mas hoje, teologicamente falando, tomou um rumo diferente. Seu líder, o pastor Sandro Baggio, não compactua com as diretrizes do movimento existente nos EUA. Desta forma, não podemos mais classificar o Projeto 242 como sendo emergente.