quinta-feira, 19 de maio de 2016

ABISMO DO PECADO

ABISMO DO PECADO 

A história conta alguns períodos de trevas vividos pela humanidade. Um deles foi a Idade Média, quando o mundo viveu dias de perversidades. Trataremos sobre o período de trevas que Judá vivenciou. Eles viveram intensas perseguições, um exílio e muita angústia, e tudo isto por causa da ausência do Senhor, pois Deus decidira discipliná-los por seus pecados. Os capítulos estudados (Is 22.15 a 35.10) retrata este período. O contexto desta época está nas partes finais dos livros de 2 Reis e 2 Crônicas. Este período revela quanta dor o pecado pode trazer ao povo de Deus e nos leva a meditar sobre a santidade exigida de nós e nos males que o pecado nos trará se formos rebeldes contra a vontade de Deus.     Vamos nos situar. O reino do Norte (Israel) fora totalmente destruído pela Assíria. Deus também se irou contra Judá e trouxe a Babilônia para, através dela, discipliná-los. Judá ficou anos no exílio. Esse período é melhor compreendido se lermos as Lamentações de Jeremias e vivenciarmos a dor que o povo de Deus passou nesse tempo de trevas, trazidas por causa do seu pecado. O período de trevas chega ao fim quando Deus, usando o rei Ciro, manda seu povo de volta para sua terra, reconstrói os muros de Jerusalém e o templo. A partir deste tempo o povo resolve nunca mais voltar à idolatria e vive tempos de refrigério.     TEMA: O ABISMO PARA ONDE O PECADO LEVA O PECADOR.     Em primeiro lugar veremos que O PECADOR PASSA O CONTROLE DE SUA VIDA PARA O SEU INIMIGO. Pedro disse que “somos guardados pelo poder de Deus e que o Diabo não pode nos tocar”, mas disse também que “O vencido fica escravo do vencedor”. Paulo mostra claramente que fazemos parte do projeto de Deus, que fomos escolhidos, justificados, santificados e glorificados, mas diz também que o Diabo “é o príncipe deste mundo sobre os filhos da desobediência”. Não nos é permitido pecar. Apesar desta proibição Deus não nos impede de pecar. Se escolhemos pecar ele permite e nos deixa sofrer as consequências de virarmos as costas para Ele. Quando andamos em fidelidade somos totalmente protegidos por Deus, mas se caminharmos nos caminhos das trevas, então, nos faremos servos do príncipe das trevas e nos sujeitaremos a ele, apesar de esta não ser a vontade de Deus para nós. Ele pode nos libertar, e com certeza o fará, mas antes disto deixará que soframos as duras penas de preferir o pecado.     Os capítulos 22 a 24 mostram como os inimigos deles é que decidiram quem seria o rei que governaria sobre Judá. Eles destronaram reis e coroaram outros a bel prazer e até colocaram gentios sobre Judá. A falta de confiança em Deus foi um dos motivos da queda de Judá e do domínio dos estrangeiros sobre eles. Mas é bom lembrar que Deus estava controlando tudo. Quando pecamos damos o controle de nossas vidas aos nossos inimigos. Judá pecou e passou o controle de sua vida ao Faraó e depois à Babilônia. Se continuassem fiéis, Deus lhes daria segurança, mas o pecado fez deles escravos. Perderam o controle.     Em 2º lugar vejamos que DEUS NÃO ABANDONA O PECADOR QUANDO ESTÁ SOB DISCIPLINA. O pai que ama, corrige. Esta argumentação é bíblica. Deus nos corrige porque é nosso Pai. Se não lhe fôssemos filhos Ele nos abandonaria à nossa própria sorte. Mas assim como acontece conosco quando colocamos nossos filhos de castigo e o nosso coração não se aparta deles, Deus também não nos abandona, mesmo que tenhamos de ser disciplinados. O cap. 25 traz o cântico de louvor por Deus restaurar seu povo e começar o processo de devolução de Judá à sua terra. Esta é a parte final do período de trevas. Trata do retorno do castigo. Foi a época vivida por Esdras e Neemias, que reedificaram os muros, as casas e o templo, pois “haviam se tornado em um montão de pedras e a cidade forte, uma ruína” (Is 25.2). O cap. 26 revela o reconhecimento da proteção recebida durante cativeiro Babilônico. O texto compara o retorno à ressurreição, pois se sentiam como mortos na Babilônia. O Salmo 137.1 retrata a tristeza deles por estarem morando longe de sua terra: “Às margens dos rios da Babilônia nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião”. Este Salmo termina com uma imprecação, mostrando a revolta dos seus corações.      A proteção foi sentida por eles no exílio. Deus não se calou nesta época, pois lhes falou através dos profetas Ezequiel e Daniel. Também estiveram sob a direção de Daniel e seus amigos, que se tornaram líderes na Babilônia e puderam amenizar o sofrimento de Judá no exílio. Assentada no trono, como rainha, esteve Ester, que foi usada por Deus para evitar o extermínio de Judá. Deus moveu o coração do rei Ciro que financiou a reconstrução de Jerusalém. Esdras e Neemias foram usados por Deus nesta reconstrução e estavam antes dentro do palácio da Babilônia como servos do rei. Deus os colocara lá.     O capítulo 27 fala de Judá em termos de vinha. Lembra-te que Deus comparou Israel à vinha má, por ter produzido uvas bravas e por isso fora destruído? Novamente compara Judá à vinha, mas, ao contrário de antes, Deus diz que vai “vigiá-la, regá-la e cuidar dela. E que sua indignação passou. Fará que lancem raízes, brotem, floresçam e produzam frutos” (Is 27.2-4,7). Israel não teve a mesma oportunidade, pois Deus não se compadeceu dele e negou-lhe o perdão (Is 27.11), dizendo-lhe: “xô, xô” (Is 27.8), enxotando-o de sua presença. Deus não nos abandona, mesmo que estejamos sob Sua disciplina. Deus disciplinou a Judá, mas não o abandonou. Cuidou deles no exílio, curou-os da idolatria e os trouxe de volta à sua terra em segurança. Apesar da disciplina Ele continuava próximo deles.     Em 3º lugar veremos que O AMOR DE DEUS NÃO O IMPEDE DE DISCIPLINAR SEU FILHO QUANDO PECA. Muitos pensam que o amor de Deus não o fará puni-los quando pecarem. Não concebem o amor de Deus junto com Sua disciplina. Os filhos se perdem quando não são corrigidos, por isso os pais que amam corrigem e castigam seus filhos e nem por isso deixam de amá-los.     O cap. 28 fala da disciplina sobre Judá. Judá não seria destruída, mas sofreria muito. Deus amava o seu povo e lhe dera tudo, mas seus filhos pecaram. Afastaram-se dele e se entregaram às dissoluções e à idolatria. Mereciam ser punidos e Deus os puniu. Com certeza isto foi penoso a Deus, mas o seu amor não o impediu de pesar sua mão contra Judá. Jerusalém foi comparada a “Lareira de Deus”, pois nela Deus derramaria sua ira e seu furor. Deus não poupou a cidade que era o orgulho e a paixão de Judá. Nem o templo, comparado à habitação de Deus, foi poupado. Isto ocorreu por causa da hipocrisia do povo de Deus (29.9-16). Menosprezaram a onisciência de Deus ao agir perfidamente, ás escondidas, desprezando o olhar divino (v.15). Tenha certeza que Deus te ama, mas não brinque com Deus. Deus te quer numa vida reta e não permitirá que vivas em pecado. Priorize o reino de Deus e o sirva com amor e dedicação, mas saiba que se priorizardes o mundo e seus prazeres, Deus não te poupará. Ele te lançará nas trevas para que sofras a pena por seu pecado. Seu amor não o impedirá de disciplinar-nos.      Em 4º lugar veremos que QUANDO O PECADOR SE ENTREGA AO PECADO SE ALIA AOS PIORES INIMIGOS. Quando o filho se rebela contra os pais, a quem ele se junta? Não é aos piores amigos e a marginais? Quem é que se torna amigo de jovens que começam a usar drogas? São os antigos amigos da igreja? Não! São os traficantes e ladrões. Assim acontece a todos os pecadores. O pecador se junta a outros que se rebelaram contra Deus para não se sentir culpado ou ser corrigido por quem anda corretamente. Isto também aconteceu a Judá: Onde mais sofreram, não foi no Egito? Os anos passados no Egito foram de muito sofrimento e escravidão. Mas, agora que pecaram, a quem se aliaram? Aliaram-se ao Egito. Logo ele que era seu pior inimigo. Os cap. 30 e 31 revelam a reação de Deus contra a aliança entre Judá e Egito. Eles desprezaram a quem os alertava do erro (30.10,11) preferindo ouvir mentiras. O profeta lhes dizia: “Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa força, mas não o quisestes” (30.15). É o que Paulo ensina: “Prega, insta, quer seja oportuno ou não”. O profeta fiel foi honrado e quem se aliou aos inimigos foi humilhado.      Em 5º lugar veremos que QUANDO O PECADOR SE ARREPENDE E VOLTA DEUS O RECEBE E O PERDOA. O maior desejo de Deus é nos ter ao seu lado em fidelidade. Seu desejo é que voltemos. A Palavra de Deus nos diz que há festa no céu quando um pecador se arrepende. O Salmo 51 foi escrito por um pecador arrependido que voltou a sentir o gosto do cuidado divino quando se arrependeu e voltou. Os capítulos 32, 33 e 34 demonstram a misericórdia de Deus. Estes capítulos falam do gemido do povo no cativeiro e da misericórdia divina. O capítulo 35 fala de esperança do retorno. A redação é totalmente nova. Não é mais um canto triste e melancólico. É canto de alegria. O caminho santo que viveriam seria corretivo para a vida de todos os que andassem nele, e termina dizendo: “Os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” (35.10). Deus recebeu o seu povo arrependido e deu-lhes, novamente, a dignidade de filhos. É isto que Deus fará a mim e a ti, se nos corrigirmos e corrermos para Seus braços. Ele nos receberá e nós lutaremos para não nos afastarmos mais dEle. O período de trevas em nossa vida acaba quando nos arrependemos. Viva na luz e não nas trevas. Volte-se para Ele.   

  (Rev. Silas Matos Pinto).