segunda-feira, 23 de maio de 2016

ÁGUA SOBRE O ALTAR




I Reis 18.22-40 – A instabilidade humana é algo espantoso. Muitos desejam ver grandes obras de Deus esperando que estas visões lhes fortaleçam a fé, mas a coisa não é bem assim. Nossa fé não é firmada naquilo que vimos, mas naquilo que cremos, mesmo que nossos olhos, nem nossos sentidos tenham tido esta experiência. As obras de Deus sempre visaram Sua glorificação. Deus disse a Moisés que faria grandes obras no Egito para que o mundo O conhecesse e soubesse que ele é o único Deus. Todas as obras feitas no Egito, a abertura do Mar Vermelho, o sustento do povo por 40 anos, a abertura do rio Jordão, serviram para infundir, nos povos, temor, pois sabiam que Israel tinha um Deus que pelejava por ele. No entanto, o povo em si se mostrou falho, pois, mesmo com tantas manifestações do poder de Deus o povo sempre desviava dEle. Vê-se isto quando Moisés subiu ao monte e demorou a voltar e eles fizeram para si um bezerro e disseram que aquele era o deus que os havia tirado do Egito. Elias, neste texto, enfrenta a fragilidade do povo e sua tendência idólatra, pois estavam em dúvida a quem deviam servir, se a Deus ou a Baal. Assim como eles, continuamos tendo uma tendência de criar ídolos para nós, por isto, neste estudo, trataremos sobre o dever que temos de ANULAR TODA E QUALQUER CHANCE DA IDOLATRIA SE INSTALAR EM NOSSAS VIDAS.
   Neste texto Elias jogou três baldes de água sobre o altar e do mesmo modo temos de agir. Veremos que para isto é necessário que APAGUEMOS DE NÓS A MANIA HUMANA DE CRIAR ÍDOLOS. Olhamos com desdém os 450 profetas de Baal ao ver como foram ridículos em seu culto e acabaram cansados, feridos, desamparados, envergonhados e desmoralizados. No entanto, se não queremos acabar como eles, devemos prestar mais atenção neles. Assim como nós, eles também eram homens religiosos, zelosos e devotados. Por que Elias molhou 3 vezes o altar? Porque os profetas clamaram por horas e ele orou por apenas cerca de 20 segundos. O povo poderia ficar em dúvida sobre a origem do fogo. Simbolicamente, Elias jogou baldes de água na idolatria do povo. O primeiro balde de água serviu para apagar a confiança em Baal. Somos de um país idólatra e corremos o risco, de alguma forma, expressar algum tipo de idolatria. O ídolo foi criado pelos homens para poder ver Deus. É mais fácil orar quando se vê o objeto da adoração. No entanto, Deus não aceita e nunca aceitou imagens, pois as imagens limitam o Seu poder e coloca em dúvida a Sua Palavra.  Ele diz que nos ouve, mas o idólatra só crê se ver o ídolo. Deus está em toda parte, mas o idólatra só ora diante do oratório. O ídolo passou a substituir Deus e a vela substitui o adorador, para completar a adoração falsa que prestam a Deus. Não é somente entre os idólatras que há falsos deuses; entre nós também há! Muitos, literalmente, adoram a placa da sua igreja, pregadores, escritores e cantores evangélicos, "seu" ministério, prestígio pessoal, etc. São extremamente devotados aos seus "ídolos": Viajam para assisti-los, desmarcam compromissos e até matam serviço. A exemplo dos profetas de Baal, estes não terão um final feliz. A boa palavra não vem do pregador famoso, vem de Deus. A cura não vem daquela pessoa consagrada, vem de Deus. Você não será edificado pelo grupo musical, mas pelo E. Santo. É preciso apagar a mania humana de criar e cultivar ídolos.
   Veja que também é nescessário que se APAGUE A VALORIZAÇÃO DADA AOS RITUAIS. O que são rituais religiosos? São a preparação para o encontro do adorador com o ser adorado. Os 450 profetas fizeram seu ritual na certeza de que, por causa dele, seriam ouvidos. Invocavam, manquejavam, se movimentavam ao redor do altar, clamavam em alta voz e se retalhavam, arrancando sangue de si. Nós também temos nossos rituais e são importantes para nossa preparação. Levítico está cheio de rituais dados por Deus. O ritual serve para preparar o adorador e não do Ser adorado. No nosso culto, antes de Deus falar conosco na pregação de Sua Palavra, temos o período de adoração, contrição, louvor e só depois é que passamos para a edificação, quando nossos corações já foram preparados para esse importante e central momento do culto. Nossos rituais não são determinantes para a ação divina. Jesus não usou, nem ensinou nenhum ritual para curar alguém. Os rituais a Baal eram grandiosos, bem elaborados e impressionantes. Neste, por exemplo, além dos 450 profetas, havia mais 400 profetas do poste ídolo. Ainda vimos sinais desta importância dada aos rituais quando pastores propagam a presença dos “300 homens de Deus ungidos”, por exemplo, como se a presença deles fizesse alguma diferença para a ação de Deus. No ritual a Baal tinha tudo o que o povo gostava e o povo, admirado, se envolvia no ritual. É incrível e até vergonhoso admitir, mas de uns tempos para cá vem crescendo no meio evangélico uma inexplicável confiança em rituais. A oração, que não tem forma definida para ser ouvida por Deus e sim, o que conta é o coração contrito, tem sido valorizada somente se for cheia de barulho, mãos erguidas ou se estiverem todos de joelho. Ainda usam dança do espírito e desmaios. Parece que aquele culto simples, que funcionou por séculos, não satisfaz mais. Crentes "modernos" desejam "shows" com dança, teatros, véus, luzes, pirotecnia. Os irmãos que gostavam de cantar na igreja deixaram de o fazer, pois não faziam shows, só louvavam a Deus e por medo da crítica, deixaram de louvar. Muitos crentes andam a caça de "Culto Disso", "Quebra Aquilo", "Cura Aquilo-Outro", "Corrente do Não-Sei-O-Quê", "Rede Sei-Lá-Das-Quantas", terapias, simpatias, gritarias, porcarias, etc. E com tudo isto o povo de Deus continua fraco, doente e morrendo, por quê? Porque não confia mais em Deus, e sim em rituais. O uso de óleo no culto, por exemplo, não teria problema se os crentes não dependessem dele para crer na ação de Deus. Facilmente fazem do óleo um ritual necessário e até um ídolo, que sem ele Deus não age. De qual ritual você depende para sentir que Deus está contigo e agirá em ti? Deus não precisa de ritual para agir, somente você é que precisa dele para se preparar.
   Vejamos também que devemos APAGAR O VALOR DADO AOS ESFORÇOS PESSOAIS. Gostamos de ter méritos pessoais. Eles dão certa tranqüilidade para negociarmos. A autoflagelação dos profetas visava atrair a atenção e o favor de Baal. Muitos crentes acreditam que se ficarem sem comer ou fizer penitências Deus os ouvirá por isso. É verdade que devemos nos esforçar para fazer o melhor para Jesus, mas isso não significa que devemos tentar arrancar a benção à força. Deus nos ouve porque nos ama, porque nos convida para um relacionamento pessoal e verdadeiro com Ele, e não porque merecemos coisa alguma. Não merecemos nada pelo que fazemos, pois tudo que fazemos é nossa obrigação. Portanto, apague qualquer resquício de idolatria de tua vida e que Deus te abençoe!

(Pr. Franco e Rev. Silas)
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